Reflexões do meu dia a dia, dos assuntos cotidianos, das polêmicas, das vivências... Aquelas idéias que talvez alguém queira compartilhar e opinar. Afinal aprendizado e conhecimento vem de discussões e troca de experiências!

domingo, 24 de maio de 2015

8. Valores do mundo de hoje: os mais baratos e superficiais o possível!

É interessante quando percebemos as mudanças dos últimos anos no comportamento das pessoas. Hoje em dia somos bombardeados de notícias chocantes, mortes, assassinatos, humilhações, desvalorização do outro como pessoa. 

Estamos na era objeto. Na era do ego. Onde reconhecer o outro como um ser humano de igual valor e sentimento é algo totalmente absurdo. Somos julgados pelo nosso poder aquisitivo, nossa aparência, nosso status, estado civil, religião... TUDO! Menos o nosso caráter, nossa educação, nossa humanidade.

Até pra fazer caridade, hoje em dia as pessoas "pagam" um criança esperança da vida ( nota-se que eu não estou criticando o trabalho que o órgão executa, muito pelo contrário) ao invés de ir lá e levantar as mangas e fazer uma boa ação direta. Paga o dízimo, mas não tem coragem de tratar com educação aquele menos afortunado que passa por ele na rua. Não são doações! São simples massagens de egos, afirmando pra si mesmo que são bons. Porque se caridade é importante para o status social, a pessoa de alguma forma tenta suprir o requisito sem sujar as mãos. O mesmo a gente vê com tantas pessoas precisando de doação de sangue e medula óssea. Se todo mundo doasse 1x por ano que seja, medula óssea provavelmente seria uma vez na vida, os hemocentros não teriam nenhum problema e pessoas não morreriam de leucemia.

O que acontece é que perdemos os nossos valores. Respeito, educação, caridade e igualdade são conceitos que só conhecemos pelo dicionário. Hoje a geração é criada para o capital. Dinheiro é o que importa. E se algo é gratuito não tem valor nenhum! É só olhar a situação dos setores públicos do nosso país. Escola? Hoje em dia os professores são humilhados, têm carros riscados, pneus furados e sofrem ameaças de morte, onde sem nenhuma consequência os seus alunos publicam na internet esses atos bárbaros e ficam por isso mesmo. Transporte? Sucateados, não pela falta de manutenção somente, mas porque os usuários tem o prazer de destruir o que é coletivo. Eu lembro das famosas associações de bairros que faziam melhorias no coletivo pra tornar tudo mais bonito e durável.

Eu queria saber quando isso mudou. Eu queria saber se nossos pais e avós não nos ensinaram bem, ou se foram criadas com tamanha disciplina esmagadora que resolveram liberar demais as rédeas com as gerações seguintes. Desde vender filhos por bola de arame e cesta básica o mundo capitalista atual tem tirado o valor da vida, resumindo-a em números. Não me entendam errado, não estou fazendo um discurso comunista. Acredito que as coisas devem ser por merecimento. Mas também acredito que todos devem ter possibilidades iguais de alcançar os seus objetivos, daí até onde você quer ir, o que fazer, o quanto se esforçar é decisão pessoal. A questão do dinheiro é que tirou o valor do ser humano. Ser honesto no mundo de hoje é sinal de desvantagem. Se você tem capital você passa na frente da fila, você paga particular, você viaja, tem acesso a cultura, você tem uma condição melhor de vida. E se você é mais esperto, também.

A questão em si é o que estamos dispostos a fazer para ter esse tipo de poder. Chegamos na situação do mata ou morre. Somos humilhados se estamos fora do padrão de hoje, não temos nem comida no prato mas temos celulares de última geração e roupas de marca. No meio disso temos dois tipos de pessoas: as que trabalham loucamente pra manter o status, e os que roubam dessas pessoas pra ter o status. É tiro, facada, porrada, ameaça, estupro, tudo pra ter um poder, um status social de força. A nossa cultura hoje é baseada em desrespeito. É só olhar as músicas de hoje: sexo, dinheiro, passar a perna. Nada mais! Viramos todos pedaços de carne, carteiras ambulantes, contatos e vantagens. Amor se tornou algo distante e praticamente impossível de alcançar. 

Passamos mais tempo na academia em busca do corpo perfeito, no salão para unhas e cabelos impecáveis, cirurgias plásticas, roupas de marca, sapatos da moda, trocando celulares novos de perfeita qualidade em modelos mais novos por conta desse status que esquecemos de exercitar as nossas personalidades. Somos todos iguais. Mulheres principalmente! As mesmas roupas coladas, as mesmas fotos com biquinho, as mesmas mechas loiras no cabelo. Homens com seus carros, celulares, corpos (apesar de serem menos cobrados por isso). Será que isso é o resumo de tudo?! E a parte que eu sou divertida, engraçada, gosto de viajar e cozinhar? Que eu sou fiel, carinhosa, quero ter filhos, acredito em honestidade... Parece algo tão distante nas redes sociais! Essa felicidade de papel, onde o que importa é o que você ostenta.

Mas sabe, eu ainda tenho esperança. Que uma hora as pessoas vão se sentir tão vazias e solitárias que elas passem a lembrar daqueles valores reais. Que beleza acaba, que não tem dinheiro do mundo que vai fazer alguém amar você de verdade. Um "cuidador", ou um marido/esposa de enfeite não vai te dar aquele abraço apertado e um beijo gostoso de boa noite. Vai lembrar a diferença entre "sexo" e "fazer amor" e vai entender que por mais que sejam parecidos, o segundo é bem mais gostoso e realizador (com todas as fantasias inclusas!). Que um muito obrigada de alguém que você conversou, auxiliou, deu o lugar no ônibus te faz feliz e realizado por um dia inteiro! Muito mais do que ver " - 10 reais" no sua conta telefônica pra uma doação que você fez e nem vai se lembrar, capaz de ligar ainda na companhia pra perguntar o porque do acréscimo. Que a mesma frustração que você sente quando o seu esforço não é reconhecido, aquele professor, aquele caixa do supermercado, aquele porteiro que você tratou mal ou com indiferença também sente.

Tudo é questão de parar de olhar um pouco pro nosso próprio umbigo. Se coloque sempre no lugar do outro. Você gostaria de ser tratado assim?  Reveja seus conceitos, reviva os antigos valores. Dessa vida a gente não leva nada material, só as boas lembranças. No final, amor é tudo que nos resta. O conceito de riqueza tá distorcido! Rico é quem tem respeito próprio e pelos outros, que é honesto, que tem caráter. A vida pode nem sempre ser fácil pra gente assim - e é facil pra alguém?! -  mas com certeza eles vivem mais leve, com mais beleza, desfrutando com realidade os prazeres do dia a dia.