Reflexões do meu dia a dia, dos assuntos cotidianos, das polêmicas, das vivências... Aquelas idéias que talvez alguém queira compartilhar e opinar. Afinal aprendizado e conhecimento vem de discussões e troca de experiências!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

3. Ser mulher no mundo de hoje. Respeito na era objeto!

Cresci em uma família onde as mulheres trabalham e se sustentam, são independentes. Por alguma razão essa primeira geração de mulheres auto-suficientes se tornaram obra de casamentos problemáticos, e no fim todas se tornaram solteiras. Não porque não eram mulheres amorosas, mas porque as minhas (ao menos) gerações anteriores por grande maioria se casaram pela pressão social, e no fim talvez não fizeram escolhas baseadas no amor. 

Hoje em dia não temos essa obrigação. Casar e se separar é algo rápido e simples, junta documentação, marca uma horinha no cartório e pronto! E pra descasar?  Mesma coisa! Ainda que ainda exista a pressão social, pois ainda essa geração de mulheres e homens "de família" e seus pensamentos foram repassados. Os nossos pais (pelo menos os do meu convívio social) já nos criaram pra focar nos estudos, na carreira, na independência. É claro que eles querem que sejamos felizes, encontrar alguém pra passar a vida ao nosso lado. Mas quem mais nos cobra por formar uma família, somos nós mesmos. Afinal, ninguém quer ficar sozinho. Alguns optam por uma longa temporada de "aproveitar a vida" em sua solteirísse, mas no fim acabamos cansados das noites solitárias. Só há divergências nisso por questão cultural e religiosa, mas pela grande maioria das leis, somos livres.

Eu sempre me identifiquei com o movimento feminista. Existem FEMINISTAS (movimento de mulheres pelo respeito e igualdade na valorização da mulher como pessoa) e existem FEMISTAS (hoje popularmente chamado de FEMINAZIS, que acreditam na superioridade da mulher, o espelho do machismo) os termos só se confundiram. Feminismo luta pela liberdade e igualdade da mulher e com isso todos os seus Direitos, INCLUSO o de não ser taxada como feminista. Qualquer mulher que se respeite com mulher, já é o suficiente. E as que ainda não querem tamanha independência (seja por religião, cultura, ideal) asseguramos o direito delas de um dia mudar de opinião. Uma mulher jamais deve pregar a misoginia (ódio a outras mulheres, de diferente opinião, de diferente cultura, de outra etnia) e também a misandria (ódio ao homem). Nenhum ser humano deveria pregar o DISCURSO DO ÓDIO. Atitudes como essa jamais deveriam ser chamadas de feministas. Se uma mulher julga outras mulheres por terem uma linha de pensamento diferente, não caracteriza luta pela liberdade, e sim pela padronização da mulher, só que num estereótipo de suas próprias idéias, nada diferente do machismo que anda solto por ai. Respeitemos os fetiches, as escolhas, a cultura, a religião das mulheres alheias. O importante é que essa tenha o direito de mudar quantas vezes quiser. Seja Livre.

O que acontece hoje é que o mundo anda tão bagunçado que nem sabemos mais a diferença das coisas. Provavelmente vou ser crucificada pelas minhas palavras mas vou dar a minha opinião sincera.

Não acho que sair por aí de peito NU seja protesto. Até porque de mulher pelada o mundo tá cheio, tá na internet, tá nos outdoors, ta na tv, e tá na arte também, pra todos os tipos e gostos. Como uma mulher que já trabalhou com um grupo feminista, e me considero feminista, acho que já tem imagem o suficiente de mulher pelada pela mídia. Respeito a gente exige com leis. Com bons argumentos, com postura. Vivemos em sociedade e acho que alguns limites devem sim ser respeitados. De AMBAS as partes. Do mesmo jeito que não me considero uma "vadia". O uso de pejorativos jamais deveriam ser a descrição uma mulher, quanto mais sua bandeira. Sou livre, faço minhas escolhas na vida e na intimidade, e não sou uma vadia por isso. Porque os caras apelidaram assim, vou usar de bom grado pra falar que não me importo?! Eu me importo sim! Acho que devemos exigir respeito, o fim do baixo calão. Fazer igual não é protesto e sim dar o que eles querem. Pra mudar as atitudes é na base da educação. Não quero que meus filhos vejam na rua mulheres peladas com escritas no corpo dizendo que são vadias. Vou ensinar a eles que todos somos seres humanos com sentimentos e merecemos respeito. Que somos passíveis de erros, mas também capaz de corrigi-los. Desculpe a quem doer. Mas quer fazer algo pela defesa do direito da mulher?! Estude, vire policial, vire advogada, ingresse na carreira politica, seja voluntária em abrigos, vire psicóloga e trabalhe com a reconstrução da auto-estima e vida de mulheres e crianças vitimas de violencia doméstica, ou simplesmente haja como um ser humano. Isso é fazer diferença. Mostrar o peito, se chamar de vadia, não é. Sou mulher livre, de direitos e de escolhas. Se me ofender é na justiça que me defendo. Pra mim isso é feminismo. Valorização da mulher como um ser capaz, de direito.

O mundo do capital, da padronização, do estereótipo só  nos trouxe desonestidade e troca de valores. A diferença é que antes mulheres eram meras moeda de troca no mercado do casamento, hoje com essa liberdade, ao invés de serem escolhidas elas escolhem com quem passar a vida. Mas os padrões antigos onde o dinheiro é o quesito principal, ainda é muito contemporâneo. O que mudou foi a capacidade de  mulheres se tornaram também polos de poder aquisitivo. 

O que não dá pra entender é que com tanta possibilidade, a mulher ainda se dobre as vontades e estereótipos masculinos de beleza. Fomos tão a frente e de certa forma regredimos ao tentarmos ser de novo um objeto de consumo. Isso é tão triste! Devemos ser quem queremos ser, e não o que nos dizem pra ser.

Me dói mais ainda ver mulheres passando por cima de outras mulheres ao tentar roubar o namorado/a ou o/a marido/esposa alheio/a. Muitas vezes não por amor, mas pelo mero poder de faze-lo. O outro de inocente nessa história não tem nada, mas também somos culpadas por não nos respeitarmos. O mundo está assim hoje porque nós também somos desonestas, porque nós não nos respeitamos como mulheres, e não respeitamos as outras mulheres. Não é questão de liberdade sexual. Você como mulher solteira tem direito de dormir com quem quiser, quantas vezes quiser, mas quanto ser humano, deve respeitar o outro.

Apontamos tanto o dedo para o machismo do dia a dia, que nem percebemos que contribuímos para esses acontecimentos em gênero, número e grau. Um homem não vai trair, pegar mulher, a não ser que minta sobre seu estado civil. Daí sim, falta de vergonha na cara dele. Mas se você sabe, e não tá nem aí, você contribui para que o "trair", o "desrespeito" seja algo normal. Depois fica realmente difícil exigir um homem bom e honesto pra ser seu cobertor de orelha

Respeito mulheres! Não sejam um mero objeto, não se tratem como nada! E mais ainda, não objetifiquem, diminuam as outras mulheres! Elas tem valor, tanto quanto você! Assim o mundo muda. Enquanto culparmos o outro e esquecermos das nossas atitudes, tudo vai continuar igual.


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