Reflexões do meu dia a dia, dos assuntos cotidianos, das polêmicas, das vivências... Aquelas idéias que talvez alguém queira compartilhar e opinar. Afinal aprendizado e conhecimento vem de discussões e troca de experiências!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

2. Auto-conhecimento: A melhor armadura.

Uma das coisas que eu percebi nesses meus vinte e alguns anos de vida é que não há nada melhor do que conhecer a si mesmo. É a nossa melhor arma, e também a melhor defesa. Mas para termos essa "armadura" o principal é agir com verdade. 

Aquele velho ditado que diz "uma mentira contada mil vezes se torna uma verdade" vale muito bem pra nossa alma, pra nossa personalidade. Tentamos muitas vezes ser tanto como os outros que esquecemos da nossa essência e as nossas ações, apesar de errôneas e não condizer com o que realmente sentimos, ainda sim são nossas.

O auto-conhecimento é o que deixa a vida mais leve. Encarar nossos defeitos e qualidades de peito aberto evita mágoas, evita auto-flagelação, evita desapontamentos. Sou ciente do meu corpo,  se alguém me chama de gorda, por mais ofensivo que possa parecer, não deixa de ser a realidade e não vai me afetar tanto como quando alguém me chamar de "vadia", por exemplo. Eu hoje vejo os meus atributos como minhas qualidades. Se eu fosse parar pra me ofender com cada vez que me confundiram com gravida, olharam curiosos o que tinha no meu carrinho de supermercado ou no meu prato de comida, eu viveria em depressão. A gente se preocupa tanto com a opinião alheia, né?! Hoje em dia eu relaxei quanto a isso. Se a sua família, pessoas que supostamente são programadas geneticamente pra te amar, as vezes te decepcionam, imagina os outros que não tem nada a ver com você!

O problema é se apegar nesses pequenos detalhes. Não to aqui dizendo que ser gorda é saudável, só os céus sabem o quanto eu me esforço pra perder peso, acho que 80% dos gordos fazem dieta, e porte físico é opinião pessoal de cada um, é gosto. Eu estou dizendo que sou muito mais do que meu corpo. Eu sou uma pessoa gentil. Eu dou bom dia pras pessoas na rua, eu sorrio pra elas, eu cuido das pessoas que eu amo, eu tento fazer caridade (não digo doar dinheiro pra tal lugar, é ir lá e fazer mesmo,cozinhar uma sopa para os moradores de rua, doar roupas, brinquedos, sapatos, cesta básica, montar o enxoval pra uma mulher grávida sem condições...), eu escrevo minhas idéias e as divido com as pessoas, gosto de uma discussão (não é briga, é argumentação) e vou aprendendo cada vez mais sobre tudo e todos. Isso deve valer de alguma coisa! E com criança!? E com bichos?! Eu adoro os outros seres vivos! Eu peço por favor, eu falo obrigada, eu dou meu assento pra uma pessoa idosa, com criança ou com alguma deficiência ou machucado. Considerando o mundo de hoje, faço mais que muita gente. Não roubo. Não traio. Não jogo lixo no chão, só na minha casa, porque eu que limpo depois. E quando eu me dou conta de tantas coisas boas que eu sou capaz de fazer, eu falo pra mim mesma que eu sou "incrivelmente maravilhosa", e pouco me importa o que os outros acham. Até porque a opinião de uma pessoa que acha que o meu "caráter" não conta, pra mim não serve de nada.

Quando acho que alguém é gordo, que tem algum tipo de problema, ao invés de falar pelas costas, tenho como melhor opção perguntar para pessoa em questão se ela está bem. Se a pessoa não quiser ajuda, tudo bem, posso ficar triste por isso. Mas acredito que devemos respeitar o espaço pessoal do outro.

Não digo que temos que concordar com tudo em relação às outras pessoas, afinal somos produtos de circunstâncias e criações diferentes, mas temos sim que respeitar as experiências alheias. É o mesmo que falar que todo homem não vale nada ou que toda mulher é superficial. Existem pessoas boas e ruins, independente do sexo, altura, etnia e condição social. E em uma discussão os dois lados podem ter razão, tudo depende de perspectiva, ninguém é dono da verdade, e nunca será.O certo e o errado é o que as circunstâncias nos ensinam. É errado matar uma pessoa, mas se defender de uma pessoa que está tentando te matar, e acidentalmente acabar matando-a não faz de você um assassino. Em ambas as circunstâncias alguém foi morto. Nada é definitivo, imutável, incontestável.

O mesmo vale pra religião. Não concordo com muitas coisas, mas se a pessoa que a pratica acredita que está fazendo o certo para SI MESMO, eu não tenho problema nenhum. Desde que as decisões dos outros não interfiram com o meu livre arbítrio, não tenho com o que lutar. Agora se uma pessoa que não crê, é obrigada por outro a passar por doutrinação, daí acredito que uma interferência é valida.

Mas voltando ao assunto. Nada melhor do que ser dono de si e de suas idéias. Aprender com seus "defeitos", erros, e todo dia tentar ser uma pessoa melhor. Quando nos encaramos e sabemos o que queremos mudar, e o que queremos manter, nada extra parece ofensivo. Se alguém te faz um comentário sobre algo que você já sabe e está tentando mudar, até pode surpreender o outro com suas respostas. Imagina alguém virar pra você e falar "nossa, você tá com um mal cheiro", e você responder "Nossa! Me desculpe por isso, eu tenho problema de glândula e transpiro muito, mas to fazendo tratamento, procurando uma solução!". A pessoa que fez o comentário maldoso vai se sentir envergonhada. A gente não deve se levar tão a sério! 

Eu falo muito alto, eu sei que é uma coisa horrível, meu marido sempre gesticula pra mim, carinhosamente, abaixando a mão, ou virando o botão do volume imaginário. Eu não me ofendo. Não acho que ele esteja me mandando calar a boca, ou tentando me ofender. Mas eu também não preciso gritar... As vezes até damos gargalhadas juntos, comigo falando "blábláblá" com a bocona bem aberta, tirando sarro de mim mesma.

Só nos sentimos vítimas, quando encaramos tudo como acusações. Enquanto o outro não partir pra agressão, deixe estar. Acho que o que incomoda mais é o fato de você não se importar. Do seu autocontrole, da sua segurança. Se você se fizer de frágil, de coitado, o mundo vai te engolir vivo.

Tive algumas pessoas na minha vida que tentaram ao máximo destruir a minha autoestima, me fazer me sentir miserável. E por um bom tempo eu me deixei levar. Sabe o que me trouxe?! Nada! Só depressão, 30kg a mais na balança, isolamento. A partir do momento que passei a ignorar tudo eu me redescobri. Encontrei meus prazeres, a minha felicidade, tomei rédeas da minha vida. O outro? O que aconteceu?! Sabe-se lá! Não sei, não quero saber... Tô muito ocupada cuidando de mim e de quem eu gosto pra perder tempo. 

Temos que aprender a fechar as portas de muita coisa que faz mal pra gente, trancar e jogar a chave fora. Lembranças de momentos ruins só nos levam a depressão. Melhor perder tempo construindo boas memórias.

Aprenda a se amar, a se melhorar, e se conformar com os seus atributos. Uma pessoa que conhece a si mesma, não se perde na ilusão maldosa que os outros tem. E acredite, por mais que o mundo pareça solitário as vezes, tem alguém que gosta de gente exatamente como você. E quando você é verdadeiro consigo e com os outros, coisas absurdas jamais serão atribuídas a você, as pessoas que realmente se importam jamais acreditarão nas mentiras alheias. Só "acredita" quem deseja se afastar de você. E pra essas pessoas, melhor não tê-las por perto.

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