Reflexões do meu dia a dia, dos assuntos cotidianos, das polêmicas, das vivências... Aquelas idéias que talvez alguém queira compartilhar e opinar. Afinal aprendizado e conhecimento vem de discussões e troca de experiências!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

4. Saúde ou Padrão de Beleza? Como a gente vive no meio disso?

Posso não ter o fôlego pra correr maratonas ou a força de muitos que conheço, mas se pegar o meu exame de sangue te garanto que é bonito que só. Posso ser obesa, mas sou sinônimo de saúde sim!  Todas as minhas taxas refletem uma pessoa SAUDÁVEL. Colesterol controlado, glicemia, vitaminas, ferro, todo o tipo de alimento de deixar qualquer nutricionista orgulhoso é comum nas minhas refeições, além de ter uma vida parcialmente ativa, pois me exercito por volta de 1 hora todos os dias.

Não faço apologia a obesidade, tenho lutado contra a balança desde sempre, mas me irrita profundamente ver gente falando que pessoas obesas não podem ser exemplo pra ninguém porque são gordas, é a coisa mais absurda que eu já vi.

Tem muita diferença em ser uma pessoa saudável e ser um atleta, ou uma pessoa magra.O padrão de beleza é tão absurdo e tá tão infiltrado na cabeça das pessoas que chega a ser triste. Mulheres e homens bonitos, cheios de saúde, se privando de viver por conta de uma determinação que sei lá quem inventou. Se você quer ser atleta, tenho total respeito pela sua disciplina, mas não quer dizer que o meu modo de viver esteja errado. Magreza não é sinonimo de saúde. Tem gente que tem uma boa genética e vive de fast-food. Quer dizer pra mim que um exame de sangue dessa pessoa tá mais bonito que o meu?! NUNCA NA VIDA!

TEMOS QUE INCENTIVAR A SAÚDE. Não só a Corporal, mas a Mental também. Temos que nos amar independente da forma dos nossos corpos. Não é a toa que os casos de obesidade e anorexia são inúmeros. Somos sempre forçados a nos julgar diante dos olhares dos outros, e de maneira dura. O comer demais e o se privar de alimentação são reflexos da busca e frustações por esses padrões quase inalcançáveis. Uma pessoa que se odeia, que se acha horrível, dificilmente vai apelar para o saudável.  Ela vai buscar pelo extremo, pelo rápido, pelo fácil.

Somos seres diferentes de genética diferentes. Não vai ter batata doce que vai deixar uma pessoa de estrutura fina com as coxas iguais as minhas e vice versa, a não ser que eu fique a beira da desnutrição vou continuar tendo esses dois grandes pernis! Só se for na prótese ou cortando fora em uma cirurgia. Hoje em dia inclusive é difícil não conhecer alguém que não colocou pelo menos um silicone nos seios. Não estou dizendo que ter vaidade é errado, mas muita gente tem ultrapassado o limite do normal, e a indústria da beleza e a fome por dinheiro de alguns médicos tem arriscado muitas vidas. Conheço gente que troca de prótese, de corpo, de acordo com a moda. Pessoas que se submetem a anestesia geral, cirurgia, simplesmente porque agora é assim que uma pessoa tem que se parecer. E não só mulheres, homens também estão moldando os corpos no silicone.

Se uma pessoa se alimenta saudável e tem uma vida ativa, não importa se tá 10kg acima do peso padrão. O IMC vem pra nos ajudar a prevenir doenças, saber aonde estão os riscos e quando eles tem tendência maior de aparecer, mas não é definitivo. Sempre fui acima do peso (cheguei a obesidade grau 3, 40kg acima do IMC normal para o meu tamanho) e nunca tive diabetes, ou qualquer outra doença relacionada ao peso. Tudo isso porque apesar do meu amor a um prato de macarrão, sempre me exercitei e me alimentei de forma correta. Alimentos integrais por exemplo podem ter muito mais calorias que os comuns, de farinha branca. É a qualidade do que você come que conta pra sua saúde. Uma boa parte dos atletas estão fora do padrão IMC. O índice de massa corporal não calcula massa magra e % de gordura no seu corpo, não te fala da falta de ferro, seu colesterol alto ou da sua hipoglicemia. As avaliações físicas hoje em dia são muito mais complexas

Quer saber se você tem tendência a uma longa vida!? Vá ao médico e peça um check-up geral. Se todas suas taxas estão normais e você tem uns quilos a mais, não se preocupe! Continue se cuidando, se alimentando bem e se exercitando. Até porque a cervejinha e o churrasco também fazem parte da vida, e se não tem impedimento médico, não faz mal a ninguém!

Saúde é bem mais complexo do que aparência. Não vamos confundir as coisas!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

3. Ser mulher no mundo de hoje. Respeito na era objeto!

Cresci em uma família onde as mulheres trabalham e se sustentam, são independentes. Por alguma razão essa primeira geração de mulheres auto-suficientes se tornaram obra de casamentos problemáticos, e no fim todas se tornaram solteiras. Não porque não eram mulheres amorosas, mas porque as minhas (ao menos) gerações anteriores por grande maioria se casaram pela pressão social, e no fim talvez não fizeram escolhas baseadas no amor. 

Hoje em dia não temos essa obrigação. Casar e se separar é algo rápido e simples, junta documentação, marca uma horinha no cartório e pronto! E pra descasar?  Mesma coisa! Ainda que ainda exista a pressão social, pois ainda essa geração de mulheres e homens "de família" e seus pensamentos foram repassados. Os nossos pais (pelo menos os do meu convívio social) já nos criaram pra focar nos estudos, na carreira, na independência. É claro que eles querem que sejamos felizes, encontrar alguém pra passar a vida ao nosso lado. Mas quem mais nos cobra por formar uma família, somos nós mesmos. Afinal, ninguém quer ficar sozinho. Alguns optam por uma longa temporada de "aproveitar a vida" em sua solteirísse, mas no fim acabamos cansados das noites solitárias. Só há divergências nisso por questão cultural e religiosa, mas pela grande maioria das leis, somos livres.

Eu sempre me identifiquei com o movimento feminista. Existem FEMINISTAS (movimento de mulheres pelo respeito e igualdade na valorização da mulher como pessoa) e existem FEMISTAS (hoje popularmente chamado de FEMINAZIS, que acreditam na superioridade da mulher, o espelho do machismo) os termos só se confundiram. Feminismo luta pela liberdade e igualdade da mulher e com isso todos os seus Direitos, INCLUSO o de não ser taxada como feminista. Qualquer mulher que se respeite com mulher, já é o suficiente. E as que ainda não querem tamanha independência (seja por religião, cultura, ideal) asseguramos o direito delas de um dia mudar de opinião. Uma mulher jamais deve pregar a misoginia (ódio a outras mulheres, de diferente opinião, de diferente cultura, de outra etnia) e também a misandria (ódio ao homem). Nenhum ser humano deveria pregar o DISCURSO DO ÓDIO. Atitudes como essa jamais deveriam ser chamadas de feministas. Se uma mulher julga outras mulheres por terem uma linha de pensamento diferente, não caracteriza luta pela liberdade, e sim pela padronização da mulher, só que num estereótipo de suas próprias idéias, nada diferente do machismo que anda solto por ai. Respeitemos os fetiches, as escolhas, a cultura, a religião das mulheres alheias. O importante é que essa tenha o direito de mudar quantas vezes quiser. Seja Livre.

O que acontece hoje é que o mundo anda tão bagunçado que nem sabemos mais a diferença das coisas. Provavelmente vou ser crucificada pelas minhas palavras mas vou dar a minha opinião sincera.

Não acho que sair por aí de peito NU seja protesto. Até porque de mulher pelada o mundo tá cheio, tá na internet, tá nos outdoors, ta na tv, e tá na arte também, pra todos os tipos e gostos. Como uma mulher que já trabalhou com um grupo feminista, e me considero feminista, acho que já tem imagem o suficiente de mulher pelada pela mídia. Respeito a gente exige com leis. Com bons argumentos, com postura. Vivemos em sociedade e acho que alguns limites devem sim ser respeitados. De AMBAS as partes. Do mesmo jeito que não me considero uma "vadia". O uso de pejorativos jamais deveriam ser a descrição uma mulher, quanto mais sua bandeira. Sou livre, faço minhas escolhas na vida e na intimidade, e não sou uma vadia por isso. Porque os caras apelidaram assim, vou usar de bom grado pra falar que não me importo?! Eu me importo sim! Acho que devemos exigir respeito, o fim do baixo calão. Fazer igual não é protesto e sim dar o que eles querem. Pra mudar as atitudes é na base da educação. Não quero que meus filhos vejam na rua mulheres peladas com escritas no corpo dizendo que são vadias. Vou ensinar a eles que todos somos seres humanos com sentimentos e merecemos respeito. Que somos passíveis de erros, mas também capaz de corrigi-los. Desculpe a quem doer. Mas quer fazer algo pela defesa do direito da mulher?! Estude, vire policial, vire advogada, ingresse na carreira politica, seja voluntária em abrigos, vire psicóloga e trabalhe com a reconstrução da auto-estima e vida de mulheres e crianças vitimas de violencia doméstica, ou simplesmente haja como um ser humano. Isso é fazer diferença. Mostrar o peito, se chamar de vadia, não é. Sou mulher livre, de direitos e de escolhas. Se me ofender é na justiça que me defendo. Pra mim isso é feminismo. Valorização da mulher como um ser capaz, de direito.

O mundo do capital, da padronização, do estereótipo só  nos trouxe desonestidade e troca de valores. A diferença é que antes mulheres eram meras moeda de troca no mercado do casamento, hoje com essa liberdade, ao invés de serem escolhidas elas escolhem com quem passar a vida. Mas os padrões antigos onde o dinheiro é o quesito principal, ainda é muito contemporâneo. O que mudou foi a capacidade de  mulheres se tornaram também polos de poder aquisitivo. 

O que não dá pra entender é que com tanta possibilidade, a mulher ainda se dobre as vontades e estereótipos masculinos de beleza. Fomos tão a frente e de certa forma regredimos ao tentarmos ser de novo um objeto de consumo. Isso é tão triste! Devemos ser quem queremos ser, e não o que nos dizem pra ser.

Me dói mais ainda ver mulheres passando por cima de outras mulheres ao tentar roubar o namorado/a ou o/a marido/esposa alheio/a. Muitas vezes não por amor, mas pelo mero poder de faze-lo. O outro de inocente nessa história não tem nada, mas também somos culpadas por não nos respeitarmos. O mundo está assim hoje porque nós também somos desonestas, porque nós não nos respeitamos como mulheres, e não respeitamos as outras mulheres. Não é questão de liberdade sexual. Você como mulher solteira tem direito de dormir com quem quiser, quantas vezes quiser, mas quanto ser humano, deve respeitar o outro.

Apontamos tanto o dedo para o machismo do dia a dia, que nem percebemos que contribuímos para esses acontecimentos em gênero, número e grau. Um homem não vai trair, pegar mulher, a não ser que minta sobre seu estado civil. Daí sim, falta de vergonha na cara dele. Mas se você sabe, e não tá nem aí, você contribui para que o "trair", o "desrespeito" seja algo normal. Depois fica realmente difícil exigir um homem bom e honesto pra ser seu cobertor de orelha

Respeito mulheres! Não sejam um mero objeto, não se tratem como nada! E mais ainda, não objetifiquem, diminuam as outras mulheres! Elas tem valor, tanto quanto você! Assim o mundo muda. Enquanto culparmos o outro e esquecermos das nossas atitudes, tudo vai continuar igual.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

2. Auto-conhecimento: A melhor armadura.

Uma das coisas que eu percebi nesses meus vinte e alguns anos de vida é que não há nada melhor do que conhecer a si mesmo. É a nossa melhor arma, e também a melhor defesa. Mas para termos essa "armadura" o principal é agir com verdade. 

Aquele velho ditado que diz "uma mentira contada mil vezes se torna uma verdade" vale muito bem pra nossa alma, pra nossa personalidade. Tentamos muitas vezes ser tanto como os outros que esquecemos da nossa essência e as nossas ações, apesar de errôneas e não condizer com o que realmente sentimos, ainda sim são nossas.

O auto-conhecimento é o que deixa a vida mais leve. Encarar nossos defeitos e qualidades de peito aberto evita mágoas, evita auto-flagelação, evita desapontamentos. Sou ciente do meu corpo,  se alguém me chama de gorda, por mais ofensivo que possa parecer, não deixa de ser a realidade e não vai me afetar tanto como quando alguém me chamar de "vadia", por exemplo. Eu hoje vejo os meus atributos como minhas qualidades. Se eu fosse parar pra me ofender com cada vez que me confundiram com gravida, olharam curiosos o que tinha no meu carrinho de supermercado ou no meu prato de comida, eu viveria em depressão. A gente se preocupa tanto com a opinião alheia, né?! Hoje em dia eu relaxei quanto a isso. Se a sua família, pessoas que supostamente são programadas geneticamente pra te amar, as vezes te decepcionam, imagina os outros que não tem nada a ver com você!

O problema é se apegar nesses pequenos detalhes. Não to aqui dizendo que ser gorda é saudável, só os céus sabem o quanto eu me esforço pra perder peso, acho que 80% dos gordos fazem dieta, e porte físico é opinião pessoal de cada um, é gosto. Eu estou dizendo que sou muito mais do que meu corpo. Eu sou uma pessoa gentil. Eu dou bom dia pras pessoas na rua, eu sorrio pra elas, eu cuido das pessoas que eu amo, eu tento fazer caridade (não digo doar dinheiro pra tal lugar, é ir lá e fazer mesmo,cozinhar uma sopa para os moradores de rua, doar roupas, brinquedos, sapatos, cesta básica, montar o enxoval pra uma mulher grávida sem condições...), eu escrevo minhas idéias e as divido com as pessoas, gosto de uma discussão (não é briga, é argumentação) e vou aprendendo cada vez mais sobre tudo e todos. Isso deve valer de alguma coisa! E com criança!? E com bichos?! Eu adoro os outros seres vivos! Eu peço por favor, eu falo obrigada, eu dou meu assento pra uma pessoa idosa, com criança ou com alguma deficiência ou machucado. Considerando o mundo de hoje, faço mais que muita gente. Não roubo. Não traio. Não jogo lixo no chão, só na minha casa, porque eu que limpo depois. E quando eu me dou conta de tantas coisas boas que eu sou capaz de fazer, eu falo pra mim mesma que eu sou "incrivelmente maravilhosa", e pouco me importa o que os outros acham. Até porque a opinião de uma pessoa que acha que o meu "caráter" não conta, pra mim não serve de nada.

Quando acho que alguém é gordo, que tem algum tipo de problema, ao invés de falar pelas costas, tenho como melhor opção perguntar para pessoa em questão se ela está bem. Se a pessoa não quiser ajuda, tudo bem, posso ficar triste por isso. Mas acredito que devemos respeitar o espaço pessoal do outro.

Não digo que temos que concordar com tudo em relação às outras pessoas, afinal somos produtos de circunstâncias e criações diferentes, mas temos sim que respeitar as experiências alheias. É o mesmo que falar que todo homem não vale nada ou que toda mulher é superficial. Existem pessoas boas e ruins, independente do sexo, altura, etnia e condição social. E em uma discussão os dois lados podem ter razão, tudo depende de perspectiva, ninguém é dono da verdade, e nunca será.O certo e o errado é o que as circunstâncias nos ensinam. É errado matar uma pessoa, mas se defender de uma pessoa que está tentando te matar, e acidentalmente acabar matando-a não faz de você um assassino. Em ambas as circunstâncias alguém foi morto. Nada é definitivo, imutável, incontestável.

O mesmo vale pra religião. Não concordo com muitas coisas, mas se a pessoa que a pratica acredita que está fazendo o certo para SI MESMO, eu não tenho problema nenhum. Desde que as decisões dos outros não interfiram com o meu livre arbítrio, não tenho com o que lutar. Agora se uma pessoa que não crê, é obrigada por outro a passar por doutrinação, daí acredito que uma interferência é valida.

Mas voltando ao assunto. Nada melhor do que ser dono de si e de suas idéias. Aprender com seus "defeitos", erros, e todo dia tentar ser uma pessoa melhor. Quando nos encaramos e sabemos o que queremos mudar, e o que queremos manter, nada extra parece ofensivo. Se alguém te faz um comentário sobre algo que você já sabe e está tentando mudar, até pode surpreender o outro com suas respostas. Imagina alguém virar pra você e falar "nossa, você tá com um mal cheiro", e você responder "Nossa! Me desculpe por isso, eu tenho problema de glândula e transpiro muito, mas to fazendo tratamento, procurando uma solução!". A pessoa que fez o comentário maldoso vai se sentir envergonhada. A gente não deve se levar tão a sério! 

Eu falo muito alto, eu sei que é uma coisa horrível, meu marido sempre gesticula pra mim, carinhosamente, abaixando a mão, ou virando o botão do volume imaginário. Eu não me ofendo. Não acho que ele esteja me mandando calar a boca, ou tentando me ofender. Mas eu também não preciso gritar... As vezes até damos gargalhadas juntos, comigo falando "blábláblá" com a bocona bem aberta, tirando sarro de mim mesma.

Só nos sentimos vítimas, quando encaramos tudo como acusações. Enquanto o outro não partir pra agressão, deixe estar. Acho que o que incomoda mais é o fato de você não se importar. Do seu autocontrole, da sua segurança. Se você se fizer de frágil, de coitado, o mundo vai te engolir vivo.

Tive algumas pessoas na minha vida que tentaram ao máximo destruir a minha autoestima, me fazer me sentir miserável. E por um bom tempo eu me deixei levar. Sabe o que me trouxe?! Nada! Só depressão, 30kg a mais na balança, isolamento. A partir do momento que passei a ignorar tudo eu me redescobri. Encontrei meus prazeres, a minha felicidade, tomei rédeas da minha vida. O outro? O que aconteceu?! Sabe-se lá! Não sei, não quero saber... Tô muito ocupada cuidando de mim e de quem eu gosto pra perder tempo. 

Temos que aprender a fechar as portas de muita coisa que faz mal pra gente, trancar e jogar a chave fora. Lembranças de momentos ruins só nos levam a depressão. Melhor perder tempo construindo boas memórias.

Aprenda a se amar, a se melhorar, e se conformar com os seus atributos. Uma pessoa que conhece a si mesma, não se perde na ilusão maldosa que os outros tem. E acredite, por mais que o mundo pareça solitário as vezes, tem alguém que gosta de gente exatamente como você. E quando você é verdadeiro consigo e com os outros, coisas absurdas jamais serão atribuídas a você, as pessoas que realmente se importam jamais acreditarão nas mentiras alheias. Só "acredita" quem deseja se afastar de você. E pra essas pessoas, melhor não tê-las por perto.

domingo, 11 de janeiro de 2015

1. O Início de Tudo : Eu quero ser Feliz!

Sempre faço muitas reflexões durante meu dia a dia. Penso nos caminhos que trilhei pra chegar até aqui. Mulher, baixinha, fora do peso, casada, sem filhos, pouco contato com a família, porém muito feliz. Acho que sempre nos vendem uma idéia de felicidade inatingível e nos faz esquecer das principais coisas: somos pessoas diferentes, umas mais baixas, outras mais magras, umas solteiras, outras com alguma limitação física, gente que gosta de filme antigo, gente com medo de escuro, gente que gosta de gente do mesmo sexo, e principalmente gente criada em situações, condições e circunstâncias diferentes! Como dizer pra essa variedade de gente que a receita da felicidade é só uma?! 

Persegui primeiro a idéia de que família é a base de tudo, que você pode confiar, que eles jamais te decepcionariam. Primeiro erro. Com o tempo a gente aprende que todos em sua experiência de vida são capazes de errar, de mentir, e te machucar, por mais que tenham a melhor das intenções. Tive muita sorte, isso eu jamais vou negar. Boa educação, boa alimentação, moradia com tudo que eu tinha direito além de transporte próprio. Carinho, muito carinho, as vezes até em excesso. Sou produto de uma infância completa e feliz.

Já na adolescência comecei a perceber que nem todos ao meu redor eram super-heróis, a partir do momento que você adquire sua autonomia, você passa a ter conflitos pelas suas idéias, e mais do que isso, aquelas respostas simples e chantagens com agrados já não funcionam quando você vê uma discussão acontecendo, você tem olhos ouvidos e capacidade de entender tudo o que está acontecendo. Daí você começa a concordar, ou discordar com as atitudes de quem nos cerca. Não é que a adolescência os filhos ficam "terríveis". Eles só cansam das mentiras que os pais contam. Eu tive bem divido os dois comportamentos, um lado que mentia, tentava me comprar com presentinhos e o outro lado que ficava do meu lado e me dizia a verdade por mais que doesse... Advinha de qual lado me aproximei mais? 

Então família pode te trazer felicidade, mas não é o sinonimo pra isso. Ter carinho e gente que te apoia com certeza torna tudo mais fácil, mas nem todos nós temos a sorte de pessoas verdadeiras. Nem todos nós temos pai e mãe em casa. As vezes não temos ninguém. A tal da diversidade de circunstâncias. Mas também a prova que só porque você não teve "berço" não quer dizer que você não alcance a felicidade.

Outra coisa que aprendi é que família não é formada só por papai, mamãe, irmão... Família é formada por pessoas que se importam com você. Tenho muitos pais de coração que cuidaram de mim quando eu precisei e tive muitos irmãos que me apoiaram que não tem o mesmo sangue que o meu. Família é quem a gente escolhe pra conviver com a gente. O marido, a esposa, o namorado, a namorada, e os melhores amigos... Nenhum deles é obrigatoriamente seu parente e não deixam de ser a sua família, o seu apoio nas horas difíceis. E como a família tradicional eles também estão totalmente aptos a te decepcionar... mas não quer dizer que não vão te ajudar a alcançar a felicidade.

Depois procurei felicidade na aparência. Os filmes, novelas, sempre mostram que as mulheres bonitas tem tudo. As pessoas bonitas em geral. Tem dinheiro, prestígio, são adoradas, tudo é mais fácil! Passei uma adolescência inteira buscando um corpo que se eu tivesse hoje seria grata, e me amaria bastante! O que não explicam pra gente é que meu corpo não vai mudar pra ficar igual o de uma pessoa com o biotipo diferente. Eu e as minhas coxas grossas jamais seriamos magrinhas como uma modelo de passarela. Até posso chegar a isso, mas passando por uma doença grave de nutrição pra perder tanta massa muscular. Dá pra mudar o corpo com cirurgia plastica, mas mesmo assim não dá pra fugir do biotipo. Busquei tanto a felicidade em ser como os outros que não sabia o quanto eu já era feliz. Tudo era tão menos complicado!

Na infância, os problemas de uma criança classe média, é escolher os brinquedos que querem brincar, as cores que vão colorir o desenho, qual será a próxima diversão. Adolescente, passar nas provas finais, ficar bonita pra quando o gatinho/gatinha passar, achar o seu grupo, não se sentir embaraçado pelos pais. Mas claro que o dia a dia nos trás surpresas que podem abalar bastante a nossa normalidade. Eu por exemplo perdi vários amigos por suicídio. Pessoas do meu dia a dia simplesmente viraram nada tendo tanto pela frente... Divorcio dos meus pais foi outra coisa que me abalou muito. Mas principalmente ver pessoas que eu gostava se perderem numa decisão ruim de acabar com a vida, me abriu os olhos pra muitas coisas que eu não percebia antes. A sorte de ter um dia a mais nesse mundão imenso. 

A partir desses acontecimentos eu percebi que eu era a única responsável pela minha vida, os caminhos que eu iria seguir, as coisas que posso conquistar, e consequentemente em como ser feliz. Aprendi que é necessário procurar certos prazeres pra aguentar todas as adversidades que vão aparecer no caminho, porque a vida vale a pena, e muito! Apesar de todos sermos vítimas das incertezas de como e quando a vida terá fim, nos cabe aproveita-la ao máximo e claro preserva-la para seguirmos em frente. Nesse caminho de procurar uma vida boa e bem vivida, tenho tido meus erros e acertos, mas que estão fazendo a minha experiência única e incrível. 

O meu convite, com essas reflexões que aqui escrevo, é que percebam que tudo que acontece trás uma consequência ruim e uma boa. Cada dificuldade, por mais que machuque, nos ensina buscar novos caminhos para tornar tudo melhor. Pelo menos eu, a cada dia, agradeço a chance de te-lo vivido, e peço mais saúde e mais tempo, pra conhecer mais do mundo, amar mais, conhecer novos sabores, e errar bastante, pra poder superar as quedas e sempre buscar novas maneiras de ser feliz. Isso é algo que mesmo vindo de várias vidas distintas, é possível pra todos, em seus diversos prazeres.

Minhas alegrias por exemplo são: meu marido, cozinhar, comer, viajar, tirar fotografias, bebês (se me for permitido, terei o meu), cantar, dançar, entre outros. Nesses momentos eu descubro a felicidade plena! Com o tempo meus prazeres podem mudar, mas com certeza encontrarei outra razão pra ter meus momentos de alegria.

O que te traz alegria!? E quanto disso você tem na sua vida hoje?! Eu por exemplo opto por cozinhar quase todos os dias, pra comer bem e o que eu gosto. Viajo pelo menos 3x ao ano, tiro foto de todos os lugares que eu vou, canto no chuveiro e mimo o bebe dos outros na rua!  O Marido eu namoro todos os dias! Sempre o encho de carinho e por sorte recebo de volta - afinal amor é uma vida de mão dupla!

Felicidade não tem um modelo a ser seguido, e não está em uma pessoa ou um grupo delas, não é um corpo, condição financeira, e sim o que te faz sentir especial, mesmo que não faça muito sentido pras outras pessoas. Eu sou gordinha e quero emagrecer, meu marido ama gordinhas... vai entender!